Espiritualidade

A EXPERIÊNCIA DA DUPLA-FENDA

Discutia-se em Física qual a natureza dos elétrons: ondulatória ou corpuscular? Em outras palavras: eram os elétrons diminutos pedaços de matéria, partículas, ou uma vibração, energia, que se propaga, ondas?

Uma das diferenças básicas, para exemplificar, é que uma onda, assim como uma onda de rádio, ou a voz de alguém que estamos escutando pode estar em vários lugares ao mesmo tempo, enquanto uma partícula, uma bolinha de gude, por exemplo, dentro da visão clássica, só poderá estar em um lugar a cada instante e, jamais, sempre na visão tradicional, em dois ou mais lugares ao mesmo tempo.

Então, os físicos realizaram a seguinte experiência:

Construíram uma chapa metálica com uma fenda estreita de largura equiparável ao tamanho dos objetos que deveriam passar por ela. Atrás da chapa, a uma certa distância, puseram um anteparo, uma tela.

Ao disparar bolinhas contra a chapa, aquelas que atravessava a fenda batem na tela de fundo e deixam uma linha, banda, estreita, nos lugares onde bateram, ou se grudaram, se for o caso.

A seguir, dispararam ondas luminosas de encontro à chapa.

A onda, ao atravessar a fenda, chega à tela de fundo, deixa uma marca semelhante à deixada pelas partículas. Forma-se uma banda luminosa, em linha reta com a fenda atravessada.

Adicionando à chapa uma segunda fenda e disparando contra ela partículas (bolinhas), essas passam por uma fenda ou por outra e deixam marcadas na tela de fundo duas bandas.

Agora, se dispararmos uma onda contra a chapa, as ondas por assim dizer, recomeçarão, a partir das fendas e se encontrarão no outro lado (interferência). No encontro de duas cristas, pontos de máximo, ocorrerá uma interferência construtiva, um reforço vibratório, visualizado como uma luminosidade mais forte, pois os impulsos irão se somar.

Mas também ocorre o encontro da crista de uma onda, ponto de máximo, com uma depressão da outra, e isso faz com que elas se cancelem em termos de vibração, como ocorreria se duas pessoas empurrassem com a mesma força, em sentidos contrários, um balanço. Esse cancelamento forma pontos escuros.

Após algum tempo, teremos no “écran” bandas claras e bandas escuras, que se alternam, formando várias faixas. É o que se denomina “padrão de interferência”.

Verificamos, então, a diferença de comportamento entre ondas e partículas.

Mas, vamos ao mundo quântico. Vamos disparar elétrons, pequeníssimas partículas de matéria contra a chapa.

Quando temos uma única fenda, os elétrons que passam por ela chocam-se contra a tela de fundo, deixando marcas semelhantes às deixadas por partícula. Uma banda.

Mas, se adicionarmos uma segunda fenda e dispararmos elétrons contra a chapa de dupla-fenda, deveríamos esperar ver duas bandas na tela, repetindo o comportamento das partículas.

Mas, para a surpresa dos físicos, o que apareceu na tela foi um padrão de interferência. Foram disparados elétrons, partículas diminutas de matéria contra a chapa de dupla-fenda. Deveríamos esperar duas bandas, mas o que obtivemos foi um resultado esperado para ondas e não para partículas (bolinhas). Os elétrons se comportaram como onda? Seria uma ruptura de paradigma.

Para tentar escapar do paradoxo, os físicos imaginaram que talvez os elétrons, pequeníssimas bolinhas, se chocassem após atravessarem uma ou outra fenda, produzindo um padrão de interferência. Seria mantido o velho modelo.

Então, resolveram disparar os elétrons um a um contra a chapa, para impedir que se chocassem no outro lado. Mas depois de uma hora, o que se viu foi o mesmo padrão de interferência.

A conclusão inevitável é fantástica, bombástica mesmo:

O mesmo elétron sai como uma partícula, transforma-se numa onda de potenciais e atravessa as duas fendas ao mesmo tempo.

Em palavras simples: o mesmo elétron está em dois lugares ao mesmo tempo, fenômeno conhecido como superposição e rejeitado pela física clássica.

O mesmo elétron atravessa as duas fendas ao mesmo tempo e interfere consigo mesmo.

Matematicamente, a conclusão é ainda mais desconcertante, porque o elétron passa só por uma fenda e só pela outra e passa pelas duas, e por nenhuma, no mesmo fenômeno.

Essas possibilidades, formalmente antagônicas, estão em superposição uma com a outra.

A partir daí, morreu a dicotomia onda-partícula.

Mas os físicos decidiram olhar às escondidas o que fazia o elétron, para determinar seu real comportamento, que pela lógica não poderia ser duplo, ou dualístico.

Assim, instalaram um medidor para verificar o que, de fato, ocorria, por qual das duas fendas o elétron realmente passava.

Nova surpresa, revelando um mundo quântico além da sua imaginação, concordando com Teillard Chardin, que afirmou: “Só o fantástico tem alguma probabilidade de ser real”.

Ao ser observado, o elétron voltou a se comportar como uma bolinha pequena. O ato de medir ou observar por qual das fendas passou o elétron fez com que ele passasse só por uma e não pelas duas e que uma rajada deles produzisse na tela de fundo uma só banda.

O elétron decidiu mudar de comportamento, como se estivesse consciente de que estava sendo observado. Por isso, os físicos contemporâneos falam em grau de consciência das partículas.

Foi aí que os físicos entraram definitiva e irreversivelmente no estranho e misterioso mundo das estranhezas quânticas. Um mundo que depende do observador. Um mundo em que a consciência está necessariamente envolvida. O observador colapsa a função de onda, pelo simples ato de observar.

Segundo Goswami, os materialistas se perdem totalmente ao entender que podemos continuar sem o observador.

Vamos retomar alguns aspectos relativos às conexões ciência e espiritualidade e relativos ao observador, para, depois, discutirmos a potencialidade criadora do pensamento, demonstrada na influência do observador, e examinarmos a influência da mente em nosso corpo e na criação do nosso destino.

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